10 coisas que pode fazer por uma
Menopausa sem traumas
Menopausa sem traumas
Mente sã
(Revista Prevenir 164, pág 110)
10 coisas que pode fazer por uma
Menopausa sem traumas
Melhorar a qualidade de vida nesta nova etapa está nas suas mãos. Damos-lhe a conhecer os 10 truques principais para controlar o assunto e aliviar os sintomas mais frequentes. Viver a menopausa com optimismo é a melhor receita. Anime-se!
Hoje em dia existe tanta informação sobre a menopausa, que já não é vivida com a dificuldade de outrora, mas sim como o início de uma nova fase que pode ser enfrentada com mais optimismo. O mais importante é reconhecê-la como uma fase natural e assumir que o corpo muda com o tempo, pelo que um bom estado de ânimo e uma atitude positiva são fundamentais. O que é que significa chegar à menopausa? Os especialistas explicam-na como o último período menstrual da mulher, na qual se suprime paulatinamente a função ovárica para se estabelecer um novo equilíbrio hormonal, baixam os estrogénios e sobe a progesterona. Costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos. Conheça os sintomas mais habituais e saiba como aliviá-los.
Para mais informações
É necessário clarificar que, em muitas mulheres, estes sintomas se vão atenuando com o passar do tempo; noutras não aparecem grandes incómodos. A intensidade depende da biologia de cada mulher e do estado físico e psíquico com que chega a esta etapa. Informe-se em:
- Sociedade Portuguesa de menopausa (www.spmenopausa.pt).
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Menstruação irregular
Assim começa a menopausa. O período menstrual pode falhar num mês e aparecer no mês seguinte, ou surgir várias vezes no mesmo mês. Estes transtornos podem apresentar-se durante um certo tempo, antes de terminar o ciclo menstrual.
O que fazer?
- Primeiro, deve ter consciência do que se está a passar, sem se angustiar, e visitar o ginecologista para se informar e ter um seguimento adequado.
- Tome nota das datas de início da menstruação e da sua duração. Observe todas as mudanças tanto físicas como psíquicas que vivencia.
2
Acessos de calor ou afrontamentos
Este é um dos sintomas mais conhecidos. Geralmente a sensação de calor sobe pelo corpo, envolvendo-o, e dura poucos minutos. É acompanhado, às vezes, de ruborização da pele, sudação excessiva, mal-estar estomacal, taquicardia, dor de cabeça e, inclusive, de sensação de vertigem.
O que fazer?
- Durma num quarto frio e vista-se “às camadas” para poder tirar roupa quando estiver com calor.
- Use lençóis e roupa de algodão ou outras fibras naturais que lhe permitam “respirar” e sentir-se fresca.
- Quando os afrontamentos começarem, beba água fria ou outras bebidas. Refresque-se e apanhe um pouco de ar até que desapareçam.
3
Secura vaginal
A falta de estrogénios fazem com que a mucosa vaginal atrofie e perca a capacidade de lubrificação ou humidade. Durante o coito, esta alteração pode provocar dor na mulher, e sensação de aspereza no homem.
O que fazer?
- Use um lubrificante à base de água que ajude a manter a zona elástica de forma a facilitar as relações sexuais.
- Tenha sempre em mente que a descida de estrogénios e progesterona, apesar de causar mudanças e adaptações, não implica em nenhum caso redução da feminilidade ou da capacidade sexual.
4
Problemas urinários
Durante a menopausa e pós-menopausa, podem ocorrer infecções do tracto urinário. Manifestam-se com sintomas como a necessidade frequente de urinar ou ardor durante a micção. É normal que nesta etapa ocorram perdas de urina, porque os órgãos da pélvis podem debilitar-se e descair. É o que se conhece como prolapso uterino.
Alguns exercícios, feitos regularmente, devolvem elasticidade à pélvis.
O que fazer?
- Se tiver estes sintomas ou não conseguir urinar, deve consultar um médico, com o objectivo de fazer um tratamento adequado e personalizado.
- Fortaleça a musculatura pélvica com exercícios. Contrair e relaxar os músculos da pélvis e da uretra (aqueles que nota quando tenta parar o fluxo da urina) em séries de 10 repetições, pelo menos, 3 vezes por dia ajuda a devolver-lhes a elasticidade e força apropriadas.
5
Problemas de memória
Podem ocorrer pequenos esquecimentos temporários, despistes que se tornam mais frequentes e que, apesar de não terem muita importância, podem causar-lhe preocupação e mal-estar.
O que fazer?
- Consulte o seu médico para lhe recomendar exercícios mentais que melhorem e estimulem a sua memória com pequenas rotinas de treino mental que promovam uma gestão mais eficaz dos ganhos e perdas de competências intelectuais.
- Tente dormir o suficiente (e bem) e faça exercício físico. Procure também actividades que possam mantê-la intelectualmente activa (quanto menos usar as suas capacidades cognitivas, menos elas são estimuladas e mais rapidamente se degradam).
* Estrogénio e progesterona, os protagonistas
São as duas hormonas cuja escassez durante a menopausa e pós-menopausa causa os transtornos físicos e psicológicos de que lhe falamos sendo a falta do estrogenio a hormona responsável pelos sintomas da menopausa.
Para que servem?
Os estrogénios
- São um grupo de hormonas com um papel muito importantes no desenvolvimento reprodutivo e sexual normal das mulheres, conhecidos como hormonas sexuais.
- É nos ovários que se produz a maior quantidade de estrogénios.
- Para além de regular o ciclo menstrual, o estrogénio actua sobre os órgãos genitais, o aparelho urinário, os vasos sanguíneos e o coração, os ossos, os seios, a pele, o cabelo, as mucosas, os músculos pélvicos e o cérebro.
A progesterona
- É necessária para que o útero e as mamas se desenvolvam e funcionem correctamente.
- Tem origem nos ovários e a sua produção é baixa na primeira parte do ciclo menstrual e elevada durante a segunda.
- Também é diminuta antes da puberdade e pós-menopausa.
6
Obesidade
Algumas mulheres engordam mais facilmente quando chegam à menopausa. Isto ocorre porque a redução de estrogénios também reduz a leptina, uma hormona relacionada com o controlo do apetite. Ao aumentar o apetite, logicamente também aumenta o peso.
O que fazer?
- Reeduque o hábito de comer. Mude de comportamento perante a comida para conseguir atenuar esse ganho de peso, que ocorre por motivos hormonais.
- É boa ideia incorporar mais frutas e verduras na sua alimentação, e diminuir a quantidade de açúcar e carnes vermelhas.
- Entregue-se ao cuidado de um bom endocrinologista.
Exercício intenso, álcool e cafeína: inimigos do descanso nocturno.
7
Dores de cabeça e insónias
A dificuldade em dormir e o cansaço podem dever-se aos afrontamentos e aos suores nocturnos que não permitem um bom descanso. Na realidade, a falta de sono reparador surge porque a mulher acorda antes de aparecem os afrontamentos. A ansiedade também pode provocar dificuldade em conciliar o sono.
O que fazer?
- Evite fazer exercício muito intenso antes de dormir.
- Reduza o consumo de álcool, cafeína e faça jantares ligeiros.
- Para muitas mulheres, beber leite morno ou infusões à base de ervas calmantes (passiflora ou tília) ajuda-as a alcançar o sono e a conseguir descansar.
8
Osteoporose
Trata-se da perda de massa óssea que pode aparecer, especialmente, no primeiro estadio da menopausa. O desgaste dos ossos pode provocar fracturas produzidas por uma queda ou de forma espontânea. Tem uma componente hereditária, pelo que deve ter em conta os seus antecedentes familiares. A debilidade dos ossos não manifesta sintomas e o processo de descalcificação inicia-se 15 a 30 anos antes da fractura, por isso, os especialistas recomendam uma alimentação saudável e a prática de desporto.
O que fazer?
- Para a detectar deve fazer uma densitometria, que consiste em determinar a quantidade de massa óssea que tem.
- O exercício físico ajuda-a a fixar o cálcio (presente, por exemplo, no leite e seus derivados, no peixe azul e nos frutos secos).
- Tome vitamina D e fixadores de cálcio, sempre sob prescrição médica.
9
Vaivém de emoções
Algumas mulheres têm alguma ansiedade nesta etapa perante as mudanças e o medo causados pela perda de fertilidade. Também surgem alguns quadros de depressão e o medo de perder sensualidade e apetite sexual. As mudanças de humor são habituais, uma vez que a variação dos níveis hormonais pode provocar angústia, tristeza e irritabilidade.
O que fazer?
- Durma bem. Faça exercícios de relaxamento e meditação.
- Tome consciência de que é apenas uma nova etapa.
- Mantenha-se sexualmente activa. É um excelente antídoto contra a depressão.
10
Hipertensão e doenças cardiovasculares
A redução de estrogénios também pode provocar mudanças na pressão arterial. O aumento de glicemia (açúcar no sangue) e hipertensão arterial são os factores que condicionam um maior risco cardiovascular, ou seja, a possibilidade de sofrer um enfarte ou um acidente vascular cerebral (AVC).
(legenda)
Nesta etapa é conveniente controlar o excesso de peso, tensão e colesterol.
O que fazer?
- É fundamental controlar três factores: o peso, o colesterol e a pressão arterial.
- Recomendam-se caminhadas de 35 a 45 minutos, 6 a 7 vezes por semana, para manter uma actividade contínua que estimule as funções do organismo.
- Siga uma alimentação equilibrada e mantenha o stress sob controlo.
Não ignore estes sintomas (consulte o seu médico)
- Aumento de peso injustificado.
- Ataques de calor repentinos, sem causas externas.
- Insónias frequentes.
- Dores articulares.
- Subida da tensão arterial.
- Fadiga prolongada.
- Pequenas perdas de memória.
- Mal-estar intestinal.
- Secura nos olhos.
- Comichão na pele.
- Propensão para infecções urinárias.
- Aumento brusco do colesterol.
- Mudanças de humor.
- Depressão e irritabilidade repentinos.
- Hemorragias vaginais
Mais vale prevenir...
- Faça mais desporto.
- Se fumar ou beber, pare.
- Ingira alimentos saudáveis.
- Antes da menopausa, precisa de 1.000 mg de cálcio por dia. Depois, 1.500 mg.
- Vigie os seus níveis de vitamina D (é fundamental para a absorção de cálcio).
- Faça uma densitometria, se tiver mais de 65 anos, para avaliar o seu risco de osteoporose.
- Faça auto-palpação das mamas periodicamente.
- Não descuide os seus check-ups. A revisão ginecológica regular é a forma mais simples e eficaz de detectar a tempo doenças com maior incidência na segunda metade da vida.